O Meu Silêncio
   



BRASIL, Nordeste, SOBRAL, Parque Silvana - I, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Arte e cultura, Escrever e ler
Yahoo Messenger -
border=0
 
   Arquivos

19/09/2004 a 25/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
11/07/2004 a 17/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004
27/06/2004 a 03/07/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
13/06/2004 a 19/06/2004
06/06/2004 a 12/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
25/04/2004 a 01/05/2004
 
border=0
Outros sites

 Sobral, Ce
 UOL SITES
 Mar da poesia
 Retalhos e Pensamentos
 Fragmentos
 UOL
 Associação Brasileira dos Químicos
 Plantaforma da Estação
 Vida em Parábola
 Ar de Amor
 Colcha de Retalhos
 Eventos de Sobral
 Tiago Pessoa
 Chico Sena
 Ser Somente Mulher
 Diana-Dru
 Loba Mulher
 Encantos


Votação
Dê uma nota para meu blog



border=0
 


De repente, questionei-me no que Déborah, minha criança excepcional, é deficiente. Ela é deficiente para mentir, blasfemar, falar injúrias e calúnias, por isso permanece ao meu lado, em silêncio, há quase dez anos. É deficiente para pensar, articular planos e premeditar a maldade que muitos que se julgam de mentes sadias, são capazes. É ela, é mesmo deficiente para se equilibrar e andar sozinha, e até mesmo para se alimentar. É incapaz de sentir ódio de alguém, raiva, rancor ou qualquer desprezo. Não é eficiente o bastante para plantar em si o egoísmo, o preconceito, muito menos para maquinar sua ascensão na vida material.

Escrito por Por Vaumirtes Freire às 00h06
[   ] [ envie esta mensagem ]






De repente...O Amor.

“Foi assim tão de repente, Acontece nos milagres... Nossos olhos se encontraram, se falaram sem falar. E o mundo parecia tão pequeno em nossas mãos... Mas por que usar palavras, quando fala o coração?” ( Música de José Augusto ) ______________________________________________________________________________________________ Era o ano de 1984 O pelotão marchava rumo ao Colégio Estadual Dom José. Iria participar do hasteamento do Pavilhão Nacional, dado aos festejos Cívicos realizado pelos alunos em homenagem a independência do Brasil. Parecia uma cena comum, e até era um dia como qualquer outro, no entanto, logo mais o destino realizaria o encontro de dois jovens. Ela, aluna do colégio Estadual estava aguardando os militares, pois eles iriam fazer a abertura da semana da pátria.; ele, um dos quarenta e dois atiradores que se aproximavam sobre as ordens do carrancudo Sargento Adelmo. -“Pelotão, Alto!” - A ordem congelou todos os atiradores como num passe de mágica. -“Esquerda. Volver!” - E todos se viraram como se fosse apenas um, tamanha era a perfeição dos movimentos. Neste momento, a três metros dele, uma menina branca como a neve, cabelos negros como as asas da noite e de um brilho no olhar como se fosse um sol a passear na alvura do seu rosto lindo e puro como uma flor, cantava o Hino Nacional. Com os olhos no azul celeste, acompanhava a Bandeira Brasileira que tremulava durante o hasteamento, nem sequer percebia que um dos atiradores a fuzilava com o olhar. Ao contrário das outras garotas que distribuíam tchaus e beijinhos escondidos das professoras, ela permanecia indiferente a tudo e a todos, era como se houvesse em seus pensamentos algo superior àquele acontecimento. Foi isso que cativou o atirador. Quis roubar-lhe um olhar. Queria quebrar aquele seu silêncio, ou quem sabe ser o motivo daquele sorriso que desenhou nos lábios na hora dos aplausos finais. Foi nesta hora que desfilou um olhar pelo o pelotão. Finalmente os seus olhos repousaram nos seus. De repente um olhar...tão rápido como um flash, mas mesmo assim, conseguiu fotografá-lo no cerébro, para que o tornasse eterno.. Ela sorriu para ele, mas foi tão rápido, que quando quis retribuir, uma voz soou como um trovão, rasgando a poesia do momento. Era o sargento. -“Pelotão, Direita! Volver!. Pelotão, Marchem! Em Frente. - E como num passe de mágica o encanto se quebrou. E quando percebeu, já estava marchando para longe dela. Ninguém sabia, mas tinha deixado ali o seu coração, nas mãos de uma menina que nem o nome sabia. Quis olhar para trás, mas a voz o advertiu: - “Olha pra frente, soldado.” – Novamente aquela voz quebrou o encanto. E naquele pelotão de quarenta e dois atiradores, um deles seguia sem coração. Será que o destino iria fazer o encontro novamente dos dois? Ele, no momento do hasteamento a observava. Teve esta oportunidade, mas quando ela o percebeu, já era tarde. Durante o hiato que existiu entre o sorriso dela e aquele grito, ele ainda conseguiu ler um pouco os seus pensamentos, era como se suas almas gêmeas tivessem se comunicado através da janela dos olhos. Cada passada que dava rumo ao quartel, parecia uma légua que ficava para trás e apenas um centímetro que se vencia, ou era vencido. Passaram-se os meses...dei baixa no exército, porém agora era um general que comandava batalhões de poesias e que as recrutava todos os dias, inspiradas na “Menina sem nome” que não devolvia o seu coração. Passaram-se os anos. Um, dois ...três. E quando até a lembrança do seu olhar parecia fluir de suas lembranças, ela surge outra vez como um sonho. O local era a praça José Sabóia ( antiga Coluna da Hora ). Ele havia perdido o ônibus e resolveu sentar-se na praça a espera do próximo que já estava atrasado. Nem sequer percebeu quando as duas meninas se aproximaram, pois rabiscava cabisbaixo num guardanapo, uma poesia... outra poesia para ela. - Ity.- Chamou-lhe uma voz conhecida - Ele levantou o olhar e as viu. Era uma prima sua que estava acompanhada da sua musa. Ficou sem voz, quis dizer algo, mas apenas sorriu. “Era ela mesma?” Pensou. - Diga a mamãe que irei passar o dia na casa de minha amiga.- E virando-se para a amiga completou: Ah! sim, este é o meu primo poeta e esta (apontou para a menina, antes sem nome,) é minha amiga Suelane. Foi apenas um aperto de mão, um sorriso e um olhar. O mesmo olhar que há três anos esperava para se completar. Às vezes culpou aquele grito por ter lhe tirado aquele olhar por tanto tempo, às vezes agradeceu, pois talvez tenha sido por causa daquele momento que pode cultivar em seu peito um amor que já dura mais de dez anos e que será eterno. _____________________________________________________________________________________________ Até parece que, quando Suelane tentou devolver o meu coração no nosso primeiro beijo, entregou-me o seu, ficando escondido no seu peito o coração malandro deste poeta que não quis mais lhe abandonar, pois só assim se explica a imensidão do amor que nos fazem ser apenas um. Ambos cúmplices de momentos felizes. Obrigado, Suelane, pelas lindas flores que desabrocharam deste amor: Déborah e Barbarah, perfumando-nos de sonhos.

Escrito por Por Vaumirtes Freire às 00h30
[   ] [ envie esta mensagem ]






É barabara a irmã de Déborah

“Quando Déborah completou três aninhos, sentimos que era tempo de lhe dar um irmãozinho de presente, mas como Debinha era muito dependente de nós par tudo, por mais simples que fosse, ficávamos em dúvida se queríamos ou não mais um filho. Porém, quando nossa pequena beija-flor nasceu, trouxe com ela um raio de luz que iluminou, não só a nossa fé, mas também a nossa florzinha Déborah. Então, percebi que aquele anjinho, apesar de ainda tão pequeno, trazia consigo uma missão, por isso a chamei de Barbarah, o que realmente ela é.” ______________________________________________________________________________________________ Essa é Barbarah, 7 anos. No Espelho d'água em Sobral,Ce neste domingo dia 16/05/04 ______________________________________________________________________________________________ Cativar as pessoas, ou ser ao menos notada numa casa, onde todas as atenções eram para Déborah, parecia ser uma missão bastante difícil para aquela pequena criaturinha que acabava de nascer se esta fosse a missão de Barbarah, mas não era, pois ela veio para iluminar mais a Déborah, para fazê-la feliz, e não para tomar o seu lugar. Barbinha aos poucos foi fazendo entender a sua missão. E tudo que fazia tinha um só ideal, fazer sorrir a “Teté “, pois era assim que a chamava, porém hoje quando ouve qualquer uma chamando-a deste modo, ela logo repreende : - É DÉBOLA, né pai ?. Com menos de dois anos de idade foi estudar no colégio Geo, hoje sobralense novamente. Todas as vezes que eu vou buscá-la no Colégio, ela realiza os sonhos que eu tenho com a Déborah, ao vim correndo para os meus braços e num pulo se dependura no meu pescoço, por um instante imagino Debinha correndo, vejo suas trancinhas douradas reluzirem com os raios de sol, o seu sorriso, o seu olhar, parece até que Barbarah sabe disso e muitas das vezes ela ao chegar perto de min pergunta pela a irmãzinha como se ela fosse a Déborah : “Pai cadê a Babu ? “ e no mesmo instante sorrir. E se eu perguntar por que ela esta estudando ela responde : “Par ser doutora e cuidar da Debola.” Sinto-me incapaz de descrever o meu amor por ela. Vê-la se vestir de palhaço e ficar fazendo gracinha somente para fazer a irmã sorrir, deixa-me confuso, e às vezes chego a pensar que é Deborah a filha mais nova. Ouvi-la contar estória para mm quando nos deitamos, como é de praxe após fazer a Déborah dormir, me faz ser também uma criança, pois somente ela consegue uma nova versão da estória do chapeuzinho vermelho que era amiga dos três porquinhos e que o patinho feio foi visitar a vovó com o gigante. Barbarah é assim, criança, sapeca e de uma criatividade fora do comum. O seu hobby predileto é escrever no computador os mais de dez nomes que decorou. Hoje porém Barbarah fez-me a pergunta esperada por mm a anos. Era por volta das 20h00, Déborah dormia já na sua caminha, suelane confeccionava uma roupinha de anjos para Barbarah vestir amanhã na coroação de Nossa Senhora, quando Barbarah se virou par mm, pois estávamos deitados na cama, e me perguntou segurando com as duas mãozinha o meu rosto : Painho, porque a Débola não fala ? Fiquei, por alguns segundos, sem voz. Parece que dei uma volta em torno do universo num piscar de olhos. Não sei se fugindo da pergunta ou em busca também da resposta. Mas apenas falei : “O que minha filha queria que ela falasse ?” fiz esta pergunta na certeza que ela iria cobrar a irmã de lhe chamar pelo o nome de Barbarah. Fiquei esperando ela dizer a resposta ou até repetir a pergunta num simples : Porquê ? hein painho. Mas para a minha surpresa ela falou bem explicado: Eu queria que ela falasse papai, papai... E eu , em defesa minha, mostrei ela um comercial na televisão, e enquanto ela assistia eu enchugava meu olhos, escondido do seu olhar. Alguém poderá até achar que ela tenha dito papai por dizer, ou que apenas coincidiu de ser a mesma palavra que tanto quero ouvir, ou por me ver ali ao seu lado tenha feito lembrar desta palavra primeiro, mas por favor não estraguem meu sonho, deixem eu sonhar, pois são deles que nascem a esperança que tanto me seguro para manter acesa a chama da minha fé. Obrigado Deus por enviar-me tão lindos presentes... um, que no seu silencio consegue falar ao meu coração, outro que com a sua tagarelice parece falar pelas as duas, fazendo-me acreditar que uma completa a outra. Debinha parabéns, esta sua irmã é mesmo Bárbara.

Escrito por Por Vaumirtes Freire às 00h02
[   ] [ envie esta mensagem ]






Impossivel é não ser feliz - II

Perguntaram-me, certa vez, como eu poderia ser feliz sendo pai de uma criança especial. Chegaram a dizer não acreditava que eu poderia estar falando a verdade ao afirmar que Déborah, com o seu silêncio, sem poder realizar meu sonho de chamar-me de papai, de não poder correr ao meu encontro e viver num mundo tão distante, pudesse me fazer feliz. Talvez, esta pessoa nunca tenha percebido a felicidade do beija-flor que mesmo podendo voar, torna-se um prisioneiro da flor. ___________________________________________________________________________________________ Existem pessoas que ficam zangadas porque seu filho tirou o segundo lugar numa corrida, ou porque ficou cansado durante uma maratona. Eu, no entanto aprendi a ser feliz ao ver Déboarh, segurando-se nela mesma, a dar algumas passadas sozinha. E ali, enquanto lhe ensino andar, sinto que é feliz. Às vezes, ela não consegue quebrar o seu record, mas com certeza, bate o meu record de felicidade a cada dia. Quando a vejo abrir os braços como se quisesse voar, sorrindo, talvez sem acreditar que conseguiu andar mais de cinqüenta passos, não consigo acreditar que exista algo mais que possa me fazer sorrir. Existem pessoas que conseguem ficar zangadas com a tagarelice de seus filhos quando ele está assistindo o jornal ou o seu filme preferido, o que é, para mim, a realização de um sonho. No entanto, consigo ser feliz ao ver Déborah em silêncio, ali, a me olhar, pronunciando vez por outra um “A “que eu, por direito, imagino estar chamando-me de papai. Peço que ninguém tire de mim este sonho, pois preciso acreditar neles para continuar sendo feliz. É muito fácil ouvir pais se maldizerem porque seu filho não tirou todas as notas boas, ou culparem o filho porque ele não lhe deu a alegria de ter passado no vestibular. Então, para estes pais, a felicidade é difícil, pois ele nunca vai achá-la. No entanto, Déborah, em matéria de me fazer feliz, ela tira dez todo dia, por isso eu não reprovo nenhum gesto seu quando me chama. Há quem procure a felicidade em sonhos impossíveis. No entanto, ela encontra-se às vezes, na nossa própria rotina, ali do nosso lado. Na lágrima do filho que chora ao nos ver sair, na sua teimosia em ficar pulando do sofá, ou até mesmo quando nos incomoda ao acordar de madrugada, querendo dormir conosco, com medo do lobo mau. Muitas vezes, só percebemos que a felicidade encontra-se ali, quando em alguma noite, nos pegamos sozinhos, acordados, sem nenhum deles ao nosso lado. Ouvi pais reclamarem dos filhos porque estes chegam da escola com o rosto sujo de tinta, ou porque sua farda chegou suja, com seus livros amassados. Eu, talvez porque descobri que o importante não é o jardim, e sim a flor, consigo sorrir até quando surpreendo Déborah amassando minhas poesias jogadas no chão pelo vento. Acredite, o coração dos poetas se alimentam de sonhos. Que culpa eles têm de ver na flor o universo, de ver no verso o amor e poder transformar as lágrimas, em gotas de orvalho para regar, sobre o galho uma flor? É fácil encontrar alguém que, mesmo tendo um jardim, não consegue encontrar nele a felicidade, enquanto o beija-flor encontra-a numa simples flor. O beija-flor não deixa de ser feliz porque a flor não voa. Pois sabe que ela é feliz com a sua presença. A flor, por sua vez, é o seu mundo. Talvez ela nem sabe que ele, ao voar pelo jardim, nunca encontrou tanta felicidade ali perto do seu olhar. Deus, em sua bondade, enviou-me também a pequena Barbarah que, com três anos e seis meses, completa minha felicidade. Tagarela na hora do jogo do Vasco, convida-me para brincar na hora que estou escrevendo, e sempre que fala comigo começa e termina com a palavra papai, até parece que fala por ela, e Déborah, que ali, em silêncio, ao seu lado sorri apenas, talvez agradecendo a Barbinha por emprestar sua voz a ela. E assim, vivendo meus sonhos, escrevendo poesias para as flores, impossível é não ser feliz.

Escrito por Por Vaumirtes Freire às 23h26
[   ] [ envie esta mensagem ]






Já fui silêncio

Essa é Déborah, meu anjo Azul. ______________________________________________________________________________________________ Não sei se devo falar (escrever), mas eu fui também, muito antes de nascer, silêncio. Fui o silêncio do sino das históricas torres das catedrais, após seus dobrados. E ouvi, além da voz da brisa em busca de paz, o rebuliço das andorinhas e pardais confeccionando seus ninhos. Fui o silêncio do lago ao amanhecer quando os sapos, escondidos por entre os aguapés, paralisam-se numa paciência de predador e presa desta cadeia alimentar; e o silêncio dos monges que oravam solidários na solidão dos mosteiros. E ouvi, além de uma música suave que vinha das águas, o sorriso da alma libertada das prisões dos desejos. Fui o silêncio nos olhos da criança com fome que estendia a mão a quem passava; e o silêncio de um pai que perdeu o emprego na véspera de Natal. E ouvi, além do grito da fome, o gemido de dor de um homem que não podia chorar naquela noite, mesmo tendo, ouvido do filho que seu melhor presente seria um pedaço de pão com manteiga. Fui o silêncio da caneta que escreveu cartas de amor proibido, molhada na tinta transparente das lágrimas; o silêncio da gota de orvalho que lagrimou a flor. E ouvi, além do choro das pequenas paixões que ajudam a viver, o gemido das grandes paixões que matam. Fui o silêncio das mãos dos cegos que acariciavam a escuridão para tecer fios de luz; o silêncio nos lábios de um inocente que foi julgado e condenado à pena de morte por aquela a quem ele iria chamar de mãe. E ouvi, além da música de felicidade dos dedos que viam, o grito de um “nonato” que tinha a missão nobre de Paz. Fui o silêncio que se congelou nos olhos atômicos daqueles que viram o cogumelo da bomba atômica, que destruiu Hiroshima e Nagasaki; e o silêncio engolido entre gemidos abafados dos sobreviventes da destruição das torres gêmeas. E ouvi nestes dois momentos os gritos de dor das almas inocentes e os berros de felicidade das hienas. Fui o silêncio dos velhos nos asilos, contemplando uma porta, seu portal de esperança, com a mesma solidão de quem apanha búzios; e o silêncio dos pacientes impacientes nos leitos dos hospitais no século de cada segundo. E ouvi, além das preces dos olhos que vivem sem pressa, o grito impresso nos rostos asSUStados dos indigentes. Fui o silêncio da enxada esquecida, entre arreios e cabaças, com saudades da terra molhada que virou poeira e enrugou a sua cara sofrida; e o silêncio dos desabrigados pela enchente que afogou suas esperanças. E ouvi na oração de ambos, eles conjugarem o verbo chover e culparem um sujeito indeterminado pela falta de ação destes que não querem ser subordinados. Mas numa análise perfeita são os objetos diretos e sem predicados, deste complemento a mais de sofrimento na vida dos que estão condenados a se tornarem sujeitos ocultos e sem sentido desta sociedade. Não sei se devo contar, mas também já fui o silêncio da vela que, com o seu trabalho sossegado de fiar luz, fazia suportar o terror daqueles momentos de trevas; e o silêncio daquela poesia amassada dentro do lixeiro que não conseguiu um corpo poeta para se encarnar. E ouvi, além do sorriso das almas que se libertavam para a vida, o grito de palavras abortadas (sem luz que não chegaram a se tornar poesia. Fui o silêncio de um estábulo numa noite de Natal, (quando falo isso ninguém acredita, mas eu mostro minhas mãos ainda em forma de manjedoura) e ouvi, além do sorriso de uma criança especial, o nascimento da paz e da esperança que se fez luz para o mundo. Mas fui também o silêncio da cruz que se fez quando o mensageiro da paz silenciou para finalmente ser ouvido por todos. Depois fui choro... Hoje sou voz e tento ser ouvido. Quero ser a voz dos que vivem em silêncio, assim como as flores (entre elas, incluo minha filha Déborah, há dez anos em silêncio, como um anjo em eterna oração), elas trazem mensagens de paz, mas são poucos os que querem ou conseguem ser silêncio para ouvi-las. Amanhã, com certeza, serei novamente silêncio e ouvirei das pessoas tudo que não consegui quando fui voz. (Ouvirei até, quem sabe, os mais diversos e injustos elogios que de nada mais servirão para o meu ego, pois não haverá mais eco). Mas, se eu ouvir de uma flor especial (outra vez falo de Déborah) apenas a palavra papai, nem que seja uma única vez, serei eternamente feliz no meu eterno silêncio. ______________________________________________________________________________________________ Parte integral do Livro: “O Diário de Débortah “ Autor Vaumirtes Freire – SGT PM do Batalhão da Paz

Escrito por Por Vaumirtes Freire às 23h18
[   ] [ envie esta mensagem ]






[ ver mensagens anteriores ]
border=0